Monday, January 30, 2006
Sunday, January 29, 2006
Saturday, January 28, 2006
Thursday, January 26, 2006
Wednesday, January 25, 2006
Tuesday, January 24, 2006
Sunday, January 22, 2006
Saturday, January 21, 2006
Friday, January 20, 2006
Thursday, January 19, 2006
Tuesday, January 17, 2006
Monday, January 16, 2006
Sunday, January 15, 2006
Sanlucar de Guadiana

Do alto do campanário da igreja de N. Sra. De las Flores em Sanlucar de Guadiana vi-me ao espelho. As duas irmãs separadas umbilicalmente pelo rio, escreveu Sousa Tavares, estão unidas por dois barqueiros desencontrados. O de lá faz curta sesta e admirou-se pela curta visita turística. O padre que guarda as flores de nossa senhora temeu pelo atraso para a missinha seguinte e correu-nos do santo templo. Parece que as cegonhas do barroco campanário também não perpetuaram tão grandiosa vista ou foram afastadas por não terem pedido licença ao senhor cura.
Memórias de Estrada

São 8H30 e o dia amanheceu frio. Não vou ao volante de um chevrolet pela estrada de Sintra, mas no meu cansado ZX pela Nacional 124, assim se chama o braço que une Alcoutim a Martinlongo. Saio da sede do concelho com vontade de chegar à terra do bom pão. Atravesso o deserto de Portugal embalado pelas rádios andaluzas. Por vezes a jactância do Nuno Markl lá me vai chegando como a água à torneira depois de ter faltado. A TSF não conhece a serra do caldeirão e as restantes hertzianas dispersam-se com os ventos.Guardado pelos renques de musculados eucaliptos, sugadores implacáveis das sobras da humidade nocturna, percorro com o olhar a perder de vista pinheiros mansos a haver, enfezados, a sonhar com as primeiras chuvas. A terra está dura e envelhecida, estéril e resignada. Um bando de perdizes, pesadas no seu voo assustado, evita a morte por atropelamento. A caça tem por estes lados seculares tradições: Alcoutim foi couto para romanos, árabes e cristãos certamente. Passei há pouco pelas cortadas para o Tesouro, Alcarias e Giões, onde a GNR impõe paragem obrigatória.Aqui e além moinhos esboroados pela ruína a testemunhar o abandono, a ilustrar a desertificação, a recordar as memórias da farinha que alimentou gerações. À chegada, lenta e forçada pelas bandas de abrandamento no asfalto, a Martinlongo, topónimo heterográfico com honras de televisão, a padaria que coze incansável a farinha do presente amassada com a água do futuro. Do seu generoso forno partem pela noite e estrada fora carregamentos de pão para todo o Algarve, para a capital e para a Espanha flamenca mais vizinha.No regresso, irei pelo entardecer empurrado pelos ventos do norte e ainda iluminado pelo sol de oeste que irá deixando nas nuvens lenços desfeitos com cores de esperança.